A pesquisa científica aqui apresentada, tem como foco o Movimento dos Trabalhadores rurias Sem Terra. Inicialmente, esclareceremos do que se trata e quais são as formas em que esse movimento social se enquadra.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nasceu das lutas concretas que os trabalhadores rurais foram desenvolvendo de forma isolada, na região Sul, pela conquista da terra, no final da década de 70. O Brasil vivia a abertura política, pós-regime militar. O capitalismo nacional não conseguia mais aliviar as contradições existentes no avanço em direção ao campo. A concentração da terra, a expulsão dos pobres da área rural e a modernização da agricultura persistiam, enquanto o êxodo para a cidade e a política de colonização entravam em aguda crise. Nesse contexto surgem várias lutas concretas que, aos poucos, se articulam. Dessa articulação se delineia e se estrutura o Movimento Sem Terra, tendo como matriz o acampamento da Encruzilhada Natalino, em Ronda Alta-RS, e o Movimento dos Agricultores Sem Terra do Oeste do Paraná (Mastro).
Os Objetivos
O MST visa três grandes objetivos: a terra, a reforma agrária e uma sociedade mais justa. Quer a expropriação das grandes áreas nas mãos de multinacionais, o fim dos latifúndios improdutivos, com a definição de uma área máxima de hectares para a propriedade rural. É contra os projetos de colonização, que resultaram em fracasso nos últimos trinta anos e quer uma política agrícola, voltada para o pequeno produtor. O MST defende autonomia para as áreas indígenas e é contra a revisão da terra desses povos, ameaçados pelos latifundiários. Visa a democratização da água nas áreas de irrigação no Nordeste, assegurando a manutenção dos agricultores na própria região. Entre outras propostas, o MST luta pela punição de assassinos de trabalhadores rurais e defende a cobrança do pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR), com a destinação dos tributos à reforma agrária.
A Estrutura
Fonte: História do MST.
A marcha promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) entre Feira de Santana e Salvador, as duas maiores cidades baianas, chegou ao fim no dia 26 de abril de 2010, após uma semana. Os cerca de 5 mil integrantes da caminhada entraram na capital na manhã deste dia e seguiram na direção da Rótula do Abacaxi, principal entroncamento viário de Salvador. A marcha interrompeu uma das faixas da BR-324 - a rodovia mais movimentada do Estado -, causando congestionamentos de 10 quilômetros na estrada, sentido Salvador, na manhã de hoje.
Ao chegar à Rótula do Abacaxi, os sem-terra promoveram uma manifestação, lembrando os 14 anos do chamado Massacre de Eldorado dos Carajás - quando 19 sem-terra foram mortos em confronto com a Polícia Militar do Pará, em 17 de abril de 1996. Em seguida, os manifestantes montaram barracas na estação da linha do metrô que está sendo construída no local. Eles pretendem acampar no local, hoje, e seguir para o Centro Administrativo da Bahia, sede do governo estadual, amanhã (terça-feira). Os manifestantes exigem mais rapidez nos processos de assentamento de sem-terra, dentro da mobilização nacional conhecida como abril vermelho.
"Mas nossa maior mobilização, nacionalmente falando, este ano, é contra a crescente tentativa de criminalização dos movimentos sociais", disse a diretora estadual do MST, Vera Lúcia Barbosa. "Precisamos chamar a atenção contra esse movimento das elites de tentar transformar movimentos legítimos em atos criminosos." De acordo com ela, a mobilização, na Bahia, também tem como metas cobrar mais agilidade na liberação de terras para assentamentos - segundo Vera Lúcia, há 25 mil famílias no Estado aguardando regularização de assentamento - e reivindicar, do governo do Estado, o cumprimento de melhorias de infraestrutura que teriam sido acordados em mobilizações anteriores. O MST informou que 10 mil famílias de assentados aguardam melhorias diversas em áreas ocupadas, de apoio técnico a construção de escolas.
Negociações
Durante a tarde, um grupo de 40 lideranças do movimento foi recebido na Secretaria de Agricultura para apresentar a pauta de reivindicações. Amanhã, os diretores do MST esperam ter uma reunião com a direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Além de promover a caminhada de 110 quilômetros entre Feira de Santana e Salvador, o MST também invadiu, desde o início do mês, 16 fazendas na Bahia.
A mais recente ação foi na Fazenda Barrinha, de Eunápolis, extremo sul do Estado, na última quarta-feira. Cerca de 400 integrantes do movimento participam da invasão. A área, da Veracel Celulose, é usada para plantação de eucalipto. A Justiça já determinou a reintegração de posse e a Polícia Militar negocia a saída dos manifestantes da área.
O MST está organizado em 23 estados da Federação. Em 13 anos de existência, quase 150 mil famílias já conquistaram terra. Grande parte dos assentados se organiza em torno de cooperativas de produção, que já somam 55 associadas às centrais ligadas à Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab). A elevação da renda das famílias assentadas é realidade em muitos dos assentamentos, principalmente onde as agroindústrias são desenvolvidas. Pesquisa da FAO comprova que a média da renda nos assentamentos é de 3,7 salários mínimos mensais por família. Onde as agroindústrias estão implantadas essa média sobe para 5,6 salários mensais para famílias. Além da preocupação com o aumento do poder aquisitivo, o MST investe na formação técnica e política dos assentados. O setor de educação é um dos mais atuantes, propondo ampliar o conceito de educação, para não ser sinônimo apenas de escolaridade. São mais de 38 mil estudantes e cerca de 1.500 professores diretamente envolvidos nesse projeto de uma nova educação, pela Unicef. Além dos cursos regulares, o MST promove cursos e atividades de capacitação beneficiando cerca de três mil pessoas todo ano. Entre eles estão os cursos de magistério e o técnico em administração de cooperativas, em nível de segundo grau.
Fonte: História do MST.
Marcha dos Sem Terra em Salvador
Reportagem extraída do estadão.com
Ao chegar à Rótula do Abacaxi, os sem-terra promoveram uma manifestação, lembrando os 14 anos do chamado Massacre de Eldorado dos Carajás - quando 19 sem-terra foram mortos em confronto com a Polícia Militar do Pará, em 17 de abril de 1996. Em seguida, os manifestantes montaram barracas na estação da linha do metrô que está sendo construída no local. Eles pretendem acampar no local, hoje, e seguir para o Centro Administrativo da Bahia, sede do governo estadual, amanhã (terça-feira). Os manifestantes exigem mais rapidez nos processos de assentamento de sem-terra, dentro da mobilização nacional conhecida como abril vermelho.
"Mas nossa maior mobilização, nacionalmente falando, este ano, é contra a crescente tentativa de criminalização dos movimentos sociais", disse a diretora estadual do MST, Vera Lúcia Barbosa. "Precisamos chamar a atenção contra esse movimento das elites de tentar transformar movimentos legítimos em atos criminosos." De acordo com ela, a mobilização, na Bahia, também tem como metas cobrar mais agilidade na liberação de terras para assentamentos - segundo Vera Lúcia, há 25 mil famílias no Estado aguardando regularização de assentamento - e reivindicar, do governo do Estado, o cumprimento de melhorias de infraestrutura que teriam sido acordados em mobilizações anteriores. O MST informou que 10 mil famílias de assentados aguardam melhorias diversas em áreas ocupadas, de apoio técnico a construção de escolas.
Negociações
Durante a tarde, um grupo de 40 lideranças do movimento foi recebido na Secretaria de Agricultura para apresentar a pauta de reivindicações. Amanhã, os diretores do MST esperam ter uma reunião com a direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Além de promover a caminhada de 110 quilômetros entre Feira de Santana e Salvador, o MST também invadiu, desde o início do mês, 16 fazendas na Bahia.
A mais recente ação foi na Fazenda Barrinha, de Eunápolis, extremo sul do Estado, na última quarta-feira. Cerca de 400 integrantes do movimento participam da invasão. A área, da Veracel Celulose, é usada para plantação de eucalipto. A Justiça já determinou a reintegração de posse e a Polícia Militar negocia a saída dos manifestantes da área.
